Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações

O Dia do Comerciante, 16 de julho, foi instituído na data do nascimento de José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu. Patrono do comércio por sua contribuição à Abertura dos Portos e à inserção do Brasil no comércio internacional, Cairu foi também grande defensor da economia de mercado, condição fundamental para o desenvolvimento da atividade comercial.

Nesta oportunidade, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) homenageia todos os comerciantes e empresários brasileiros, pelo papel que desempenham no progresso econômico e social do Brasil, independentemente do setor.

Embora pouco reconhecido, o comércio é mais do que o elo entre a produção e o consumo: é fator indispensável para a geração de riqueza, pois com seus estoques regula o mercado, assegurando o equilíbrio entre a oferta e da demanda.

Ao captar tendências de consumo, necessidades e aspirações da população, o comércio orienta os produtores e amplia os mercados. Seu papel social extremamente relevante de levar os bens necessários às áreas mais remotas do País é fator civilizatório, ao incorporar novas regiões e camadas da população ao consumo.

O Brasil atravessa grave crise política com reflexos negativos na economia e, principalmente no campo social, representado por mais de 14 milhões de desempregados. Nos últimos três anos, o comércio sofreu forte retração de vendas, que redundou no fechamento de milhares de estabelecimentos e em grandes dificuldades para outros tantos milhares que vêm lutando diariamente para sobreviver. Se não fosse a determinação dos empresários em manter seu negócio ― preocupados com seus problemas e também com colaboradores e fornecedores ―, o número de negócios encerrados por se tornarem inviáveis ou por falência teria sido muito maior. Euclides da Cunha dizia que “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, com o que concordamos, mas queremos também dizer que “o empresário brasileiro é, antes de tudo, um forte”.

Neste momento em que se vislumbram sinais promissores de recuperação da economia, apesar da crise política, homenageamos também os empresários brasileiros que sucumbiram, atingidos pela recessão e pelas dificuldades, pois tiveram o mérito de criar um negócio em um ambiente hostil para a atividade empresarial. Temos esperança de que o País supere seus problemas e permita que esses empresários voltem a empreender, com mais possibilidades de sucesso.

Comemoremos o Dia do Comerciante na certeza de que o Brasil é maior do que a crise e que, com a participação de todos, retornará ao caminho do crescimento econômico e social.