Criar um cinturão verde entre a cidade e o porto que funcione como uma barreira capaz de reduzir parte do material particulado emitido pelas atividades portuárias. Esse o estudo que será apresentado no dia 19 pela pesquisadora Rosilma Menezes Roldan durante o 7º Congresso Ibero-Americano de Direito Sanitário, na Universidade de São Paulo (USP).

Rosilma é a autora do trabalho e Fernando Reverendo Vidal Akaoui e Marcelo Lamy são seus orientadores.

O trabalho, intitulado "Poluição atmosférica, saúde humana e mitigação por coberturas vegetadas ou telhados verdes", faz parte do mestrado de Rosilma. Ela explica que desde 2012 a poluição atmosférica na região atinge índices 80% acima do nível seguro para a saúde humana.

“A poluição atmosférica foi responsável pela morte de milhões de pessoas, no mundo, tendo aumentado mais de 150%, em uma década. A mitigação dos efeitos da poluição atmosférica leva à regressão dessas doenças", afirma.

A poluição atmosférica está associada com hipertensão gestacional, baixo peso ao nascer e parto prematuro. O sistema endócrino, cuja deficiência leva à obesidade e à diabetes, e o sistema neurocognitivo, são afetados negativamente pela poluição do ar.

Pessoas com baixa faixa etária (fetos ou crianças), idosos, pessoas com baixo nível socioeconômico, com doenças crônicas ou gestantes são mais suscetíveis a problemas de saúde causados pela poluição do ar.

O Projeto Respirando Vida, criado e desenvolvido por um grupo de pesquisadores da Universidade Santa Cecília, em Santos (SP), tem como foco a mitigação da poluição atmosférica da região, principalmente no bairro da Ponta da Praia.

Telhado verde

Para isso, propõem a adoção de tecnologias como o teto verde, que consiste no cultivo de vários tipos de vegetação sobre fachadas, paredes, muros, coberturas, ou seja, qualquer superfície. Essa técnica já era utilizada há muitos séculos, e pode utilizar jardim ou grama, no lugar das lajes ou telhas tradicionais.

As coberturas verdes podem ser consideradas como uma forma viável e funcional de recuperação real da vegetação do solo prejudicada com a construção do edifício.

Benefícios

Os telhados verdes proporcionam habitat natural para animais e plantas, retêm as águas pluviais, reduzem a poeira, o material particulado e a poluição atmosférica, mitigando os efeitos das chamadas “ilhas de calor” urbanas, podendo ainda serem utilizados, dentro do espaço urbano, como um refúgio natural e como lazer, reduzindo a poluição sonora e gerando maior conforto térmico, o que se traduz em valorização imobiliária.